José de la Cuadra

Quem foi José de la Cuadra?

José de la Cuadra (1903-1941) foi um escritor e político equatoriano que pertencia ao Grupo Guayaquil. Suas histórias faziam parte da literatura mais destacada do realismo social no Equador.

Desde muito jovem foi atraído pela escrita e pelas cartas. Participou da redação da revista juventude estudiosa. As primeiras inclinações de Cuadra foram para o modernismo literário.

Durante sua vida, Cuadra teve várias ocupações. Graduou-se como advogado e com sua tese obteve o grau de Doutor em Jurisprudência e Ciências Sociais. Foi também jornalista, político, professor e escritor. Enquanto estudava na Universidade de Guayaquil, teve relações com grupos estudantis da época.

Quanto à carreira de advogado, exerceu-a como litigante, juiz e também como professor universitário.

Sua aptidão literária foi exposta desde seus primeiros contos em 1923, quando tinha apenas 20 anos. Mais tarde, trabalhou no jornal equatoriano O telégrafo. Cuadra militou nas fileiras do Partido Socialista Equatoriano desde sua criação, em meados da década de 1920.

Sua narrativa não focava em doutrinar o leitor, mas a sensibilidade social sempre esteve presente em sua obra. Ele também manteve um estilo narrativo muito celebrado, mesmo por membros de sua geração, que o consideravam superior.

Em 1934 Cuadra foi Secretário do Governo de Guayas. Mais tarde, trabalhou como agente consular do governo de Alberto Enríquez Gallo, no final da década de 1930. Nesse escritório foi designado para países como Uruguai e Argentina.

Seu último trabalho, que recebeu o nome Guasinton, foi uma espécie de compilação de seu trabalho ao longo de vários anos. José de la Cuadra morreu cedo, aos 37 anos, de uma hemorragia cerebral.

Biografia de José de la Cuadra

Primeiros anos

José de la Cuadra y Vargas nasceu em 3 de setembro de 1903 em Guayaquil, Equador. Ele era filho de Vicente de la Cuadra y Bayas, e Ana Victoria Vargas y Jiménez Arias, filha do Coronel José María Vargas Plaza.

Vicente de la Cuadra morreu jovem, então seu filho José e sua esposa Ana Victoria ficaram aos cuidados do avô materno da criança. O escritor afirmou que os anos mais felizes de sua infância foram passados ​​na mansão colonial onde morava com sua família.

Ele cursou o ensino médio no Colégio Vicente Rocafuerte. Ao mesmo tempo, Cuadra estudou contabilidadepor recomendação de seu avô, na escola do professor Marco A. Reinoso.

A primeira incursão literária de Cuadra de que se mantém registro é uma história chamada “Os frutos do nonsense”, publicada no primeiro número da revista Fiat-Lux em 1918.

Mais tarde naquele mesmo ano, outro de seus textos intitulado “Coisas da Vida” saiu no primeiro número de Melpômene, revista científica e literária editada pelo próprio Cuadra, 15 anos, juntamente com Jorge Japhel Matamoros. Esta publicação atingiu apenas três parcelas.

estágio universitário

Em 1921 Cuadra recebeu seu diploma de bacharel. Neste momento, o ambiente social do país estava em um ponto sensível que mais tarde detonou na Revolução de 15 de novembro de 1922.

Durante este período, Cuadra ingressou na Universidade de Guayaquil como estudante de direito. A luta social e sua profissão de jurista influenciaram sua obra literária e narrativa.

Entre 1919 e 1920 fez parte da redação do juventude estudiosa. Nos textos de Cuadra da época, percebe-se sua firme inclinação ao modernismo. Nesta época, ele só publicou poesia e notas em prosa lírica.

Alguns de seus textos publicados em várias revistas literárias da época foram: “Sangre de Incas” e “Decepción”, ambos de 1919, também no ano seguinte publicou “A la pálida” e depois “Símbolo” (1922), “Novia muerte” (1922), assim como “Do remanso” (1923) e “Ruta” (1924).

Em 1923 Cuadra conseguiu um cargo como professor e depois como bibliotecário no Colégio Vicente Rocafuerte.

Em 1924, ele publicou uma coleção de histórias sob o título ouro do sol. Também nesse ano começou a trabalhar como jornalista no jornal O telégrafona qual escreveu a coluna feminina sob o pseudônimo de Ruy Lucanor.

Direito

Em 1927, José de la Cuadra obteve a licenciatura em Direito mas, graças à apresentação da sua tese, que tratava do casamento e do direito civil, formou-se como Doutor em Jurisprudência e Ciências Sociais.

Dedicou-se à advocacia em escritório, onde normalmente atendia casos de clientes pobres a quem cobrava quantias simbólicas pelos seus serviços.

carreira política

Com a Revolução de 1925 e a fundação do Partido Socialista Equatoriano em 1926, do qual Cuadra era membro, sua vocação social foi despertada ainda mais, que ele expressou tanto em suas ações quanto em seus escritos.

Ele tentou realizar o projeto de uma Universidade Popular, na qual eram admitidos estudantes de baixa renda, mas essa ideia fracassou. Também nessa época atuou como presidente do Centro Universitário de Guayaquil e da Federação Sulista de Estudantes Universitários.

Anos depois, em 1934, foi nomeado Secretário do Governo de Guayas por Roberto Barquerizo Moreno. Ao mesmo tempo, ele estava constantemente envolvido na atividade literária.

Um ano depois, Cuadra deixou a política para trabalhar como professor na Universidade de Guayaquil.

Em 1937 voltou ao cargo de Secretário do Governo de Guayas, desta vez ao lado do Coronel Jorge Quintana, que não estava no cargo há muito tempo, pois foi nomeado Ministro do Governo e assumiu Cuadra como Secretário do Ministério.

No ano seguinte, Cuadra foi nomeado visitante de consulados, e lá percorreu o continente latino-americano, já que esteve no Peru, Bolívia, Chile e, em Buenos Aries, Argentina, foi cônsul geral.

corrida literária

Durante a década de 1920, Cuadra colaborou em diferentes mídias impressas, mas seu estilo atingiu seu ponto mais alto na década de 1930. É então que ele se destaca como o maior expoente do conto equatoriano.

Seu estilo progressivamente se separou do modernismo e começou a se mover em direção ao realismo social. Que foi marcado com prateleirasuma seleção de 21 contos em que o autor se revela promissor e maduro.

Ele fazia parte do Grupo Guayaquil, e entre eles era considerado o maior, não em idade, mas em talento. O ápice do trabalho de Cuadra foi Sanguarimas de 1934.

Vida pessoal

Em 24 de março de 1928, José de la Cuadra casou-se com Inés Núñez del Arco, com quem teve cinco filhos, três dos quais sobreviveram.

Alega-se que José de la Cuadra era um pai dedicado e amoroso à sua família. Apesar de mulherengo e galante, tinha um bom relacionamento com sua esposa Inés, que não era uma mulher ciumenta e até o ajudava com as notas de ideias para suas histórias.

Quando viajou para Buenos Aires, teve que vender a casa de seu avô onde cresceu para pagar as despesas de viagem de sua família. Então ele mandou sua mãe, Ana Victoria Vargas, para morar com seus sogros.

Conta-se que nessa época o escritor estava bêbado, o que afetou a economia familiar. Ao retornar da Argentina, alugaram uma casa em Guayaquil e a esposa de Cuadra trabalhou fazendo chapéus de pano.

Morte

José de la Cuadra morreu em Guayaquil em 27 de fevereiro de 1941 com a idade de 37 anos.

Durante o carnaval, o autor decidiu ficar em casa brincando com os filhos, na manhã seguinte acordou mal e pediu a visita de um médico que recomendou repouso e receitou um sedativo, achando que era ansiedade.

Naquela mesma noite, Cuadra sentiu uma forte dor de cabeça e exclamou que não queria morrer. Quando sua esposa veio em seu socorro, o corpo de Cuadra já estava parcialmente imóvel devido a uma hemorragia cerebral.

Ele foi transferido para o hospital, mas os esforços foram em vão, pois José de la Cuadra morreu algumas horas depois.

Sobre a sua morte existem duas versões, uma assegura que no dia anterior tinha bebido álcool em excesso e o seu fígado entrou em colapso, uma vez que Cuadra já sofria de cirrose devido ao consumo de bebidas alcoólicas.

No entanto, sua esposa Inés Núñez assegurou que Cuadra não havia consumido álcool durante o dia de sua morte e que isso se devia a uma síncope.

Local de construção

Estilo

José de la Cuadra tem características particulares em termos de estilo. Ele estava ciente da tragédia social e vivencial dos equatorianos, com a qual foi sensibilizado graças à sua posição política de esquerda e com a qual entrou em contato quando exerceu a advocacia.

Apesar disso, Cuadra refletiu um humor particular em seus escritos. Ele abordou a crítica social através da ironia.

Seus estudos lhe deram amplo conhecimento sobre a psique de um criminoso. Em sua obra, Cuadra aproveitou isso e o explorou em seus textos, nos quais assassinatos, anomalias e abusos sexuais foram alguns dos temas recorrentes.

Sua narrativa foi dominada por elementos como destino e tragédia, já que os heróis de suas histórias eram geralmente guiados do primeiro para o segundo.

Preferiu afastar-se da concepção colonial de narrativas que retratavam equatorianos brancos e aristocráticos e que refletiam o Equador quase como um país europeu. Pelo contrário, mostrava um país indígena e mestiço, com dificuldades e problemas particulares.

Separou a imagem do Equador como nação independente com dinâmica própria e criou um conceito literário que praticamente não havia sido explorado no país até então.

O Grupo Guaiaquil

Benjamín Carrión considerou que ao falar de José de la Cuadra estava falando do melhor contador de histórias equatoriano. Carrión foi quem deu o nome de Grupo de Guayaquil a Cuadra, Alfredo Pareja Diezcanseco, Demetrio Aguilera Malta, Joaquín Gallegos Lara e Enrique Gil Gilbert.

Por sua vez, Pareja assegurou que Cuadra era “o mais velho dos cinco”, esclareceu também que não era uma questão de idade, mas de maestria.

Mas Cuadra era mais velho que todos os membros do grupo: quando publicou seus primeiros trabalhos, os outros eram apenas crianças. Cuadra foi o pioneiro do realismo social equatoriano.

Publicações

histórias

– “Os frutos do nonsense”, numa revista Fiat-Luxabril de 1918.

– “Coisas da vida”, numa revista Melpômenejunho de 1918.

ouro do solboletim editado por O telégrafo1925.

Perlita Lilás (memórias)1925.

Sonho de uma noite de Natal1930.

O amor que dormia… (contos)1930.

Prateleiras (contos)1931.

Forno. Contos, 1932.

Guasinton. histórias e crônicas1938.

– “Galleros”, revista homem americanojaneiro de 1940.

Poesia

– “Sangue dos Incas”, revista juventude estudiosamarço-abril de 1919.

– “Decepção”, revista juventude estudiosajunho de 1919.

– “A la pálida”, revista juventude estudiosadezembro de 1919 a fevereiro de 1920.

– “Símbolo”, revista ciência e letrasjunho de 1922.

– “Noiva Morta”, revista ciência e letrasagosto de 1922.

– “Do remanso”, revista Cosmos.

– “Rota”, revista Boêmiajulho de 1924.

– “Para você”, revista Seiva1926.

– “Retrato antigo”, em Cinco como um punho: poesia do “Grupo Guayaquil”1991.

romances

Olga Catarina1925.

As Sangurimas. romance montuvia equatoriano1934.

As Sangurimas. romance de montanha2ª Edição, 1939.

Os macacos loucos1951.

ensaios

O montúvio equatoriano, 1937.

Referências

  1. Landazuri, A. (2011). O legado sangrento. Quito: INPC, Instituto Nacional do Patrimônio Cultural.
  2. Avilés Pino, E. Cuadra José de la – Figuras Históricas | Enciclopédia do Equador. Recuperado de encyclopediadelecuador.com.
  3. Schwartz, K. (1957). José de la Cuadra Revista Iberoamericana, 22(43), pp.95-107.
  4. José de la Cuadra Recuperado de en.wikipedia.org.
  5. Cuadra, J. e Vintimilla, M. (2013). Doze histórias; As Sangurimas. 2ª edição. Quito: Libresa.
  6. Pérez Pimentel, R. JOSÉ DE LA CUADRA E VARGAS. Recuperado de dictionarybiograficoecuador.com.